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jueves, 6 de febrero de 2020



Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai de santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute benfeito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
- Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera das obscuras.

sábado, 11 de enero de 2020

LUCIA ALDAO, connosco, Luns 20 de Xaneiro




1.
Eu ó teu país fun brillar
e soltáchesme a noite para que me trabase.
Sobráronme campos de maínzo que atravesar radiante
mentres fuxía do animal esvelto da túa ansia.
Nunca queda claro se correr é de valentes
ou de covardes
e a min non me incomoda este verso,
gústame.
Gústame como a ti che gustan outras cousas que eu non tolero.
Todo o que desbasto para soar máis prudente:
“hai xente á que lle debe resultar tremendamente atractiva a displicencia”
Todo o que afío para soar máis inflexible aínda:
“non deberías conformarte con este sucedáneo de historia importante”
Demonízame agora, agora si.
Pero aclaremos
que roubar di máis da persoa que da súa necesidade.
Pensa que gran parte dos libros que lemos
sobreviven tan só a unha lectura.
A estas alturas poderías ter asumido que todo importaba a metade porque ía calor,
que se nos foron das mans as mans e fixemos do estómago un after.
Ese querer verboso.
Aquel posgrao en falsidade.
Droga por nós,
que a unha illa deserta levaríamos un xesto.
Droga por nós,
que non se pon o sol nas nosas bocas.
A frase “dime algo que eu non saiba”,
sorna fóra,
é agora a miña petición máis firme.
Ponlle nome ti a todo o que non pagou a pena,
atrévete a facer da palabra
líquido de contraste.
Droga por nós,
que non aguantou o noso amor a luz do día.







Lucía Aldao


Nacín en febreiro do 82. Son do barrio coruñés dos Mallos. Manteño unha relación moi estreita coa palabra desde sempre, ben sexa coa palabra escrita, lida, falada ou cantada. Poucas cousas fixen na vida que non estivesen relacionadas con ela. 
Traballo profesionalmente na poesía escénica desde 2005 coa tamén poeta María Lado. Xuntas somos aldaolado. Creamos espectáculos de poesía que adornamos con humor e música e cos que xiramos continuamente polos escenarios máis variados. Vivimos da oralidade. 
Todo isto antes era noite é o primeiro libro individual que publico. Non foi sen tempo. 

lunes, 12 de noviembre de 2018

MANIFESTOS, MANIFIESTOS, COMPROMISO, Resistencia e Risa



Nuestros parientes más cercanos: los francotiradores, los llaneros solitarios que asolan los cafés de chinos de latinoamérica, los destazados en supermarkets, en sus tremendas disyuntivas individuo-colectividad; la impotencia de la acción y la búsqueda (a niveles individuales o bien enfangados en contradicciones estéticas) de la acción poética. (Déjenlo todo, nuevamente Manifiesto infrarrealista Roberto Bolaño)


¿Y la buena cultura burguesa? ¿Y la academia y los incendiarios? ¿y las vanguardias y sus retaguardias? ¿Y ciertas concepciones del amor, el buen paisaje, la Colt precisa y multinacional? Como me dijo Saint-Just en un sueño que tuve hace tiempo: Hasta las cabezas de los aristócratas nos pueden servir de armas.

domingo, 14 de octubre de 2018

EUGENIO DE ANDRADE (Luns, 15 de outubro 2018)





BRANCO NO BRANCO

Já não se vê o trigo,
a vagarosa ondulação dos montes.
Não se pode dizer que fossem contigo,
tu só levaste esse modo
infantil de saltar o muro,
de levar à boca
um punhado de cerejas pretas,
de esconder o sorriso no bolso,
certa maneira de assobiar às rolas
ou então pedir um copo de água,
e dormir em novelo,
como só os gatos dormem.
Tudo isso eras tu, sujo de amoras.


(Andrade, 2005)




sábado, 20 de enero de 2018

Este luns, 22 de Xaneiro, LOHN ASHBERY CON NOS



"o primeiro poema de Ashbery que li que me despertou um verdadeiro fascínio, especialmente por dar aquela sensação estranha de estar quaseconseguindo compreender sobre o que é o poema (se é que os poemas de Ashbery são sobre alguma coisa, de fato), sem, no entanto, chegar a qualquer coisa que se pareça com uma compreensão real. Vocês podem conferi-la clicando aqui, juntamente com uma brevíssima introdução sobre o poeta e a sua obra."    
(poemas de John Ashbery, tradução de Adriano Scandolara)

 https://escamandro.wordpress.com/2014/01/01/3-poemas-de-john-ashbery/

Um mal que vem para bem
Sim, eles estão vivos e podem ter essas cores,
Mas eu, em minha alma, estou vivo também.
Sinto que devo cantar e dançar, para dizer
Isso de certo jeito, sabendo que você pode estar atraído por mim.
E canto em meio ao desespero e o isolamento
A chance de te conhecer, de cantar de mim
O que é você. Você vê,
Você me segura contra a luz de um modo
Que nunca esperei ou suspeitei, talvez
Porque você sempre me diz que eu sou você,
E tenho razão. As grandes píceas rondam.
Sou seu para morrer junto, desejar.
Não posso jamais pensar em mim, eu desejo você
Num quarto em que as cadeiras
Estão com as costas viradas para a luz
Infligida sobre a pedra e os caminhos, as árvores reais
Que parecem brilhar para mim através das gelosias na sua direção.
Se a luz selvagem deste dia de janeiro é real
Eu me comprometo em ser-te verdadeiro,
Você que não consigo mais parar de lembrar.
Lembrar de perdoar. Lembrar de passar além de você, rumo ao dia
Nas asas do segredo que você jamais saberá.
Assumindo-me por mim mesmo, no caminho
Que os contornos pasteis do dia me atribuíram.
Prefiro “vocês” no plural, quero vocês
Vocês devem vir até mim, todos dourados e pálidos
Como o orvalho e o ar.
E então me começa a vir esse sentimento de exaltação.



sábado, 25 de noviembre de 2017

SÉCHU SENDE, poemas encarnados



Falarás a nossa língua
Falarás a nossa língua
porque estamos contigo,
minha filha.
Falarás a nossa língua
e as tuas palavras formarão parte
da natureza.
Serão estrelas nos dentes,
vaga-lumes frágeis,
sementes de algo
que não conhecemos ainda.
Atravessarão o céu do teu paladar
os nomes dos pássaros,
crescerão os nomes das árvores
na raiz da tua língua
e um dia depois da tormenta
sairá das tuas palavras
o arco da velha.
E falarás a nossa língua.
Como nesse conto infantil
no que afinal consegues superar os obstáculos
e vencer os inimigos
que querem roubar-che as palavras,
falarás a nossa língua.
Falarás a nossa língua
e aprenderás a fazer lume
chocando duas palavras
contra o frio.
Contra a fame
falarás a nossa língua.
Falarás a nossa língua
e moverás a terra com as vibrações
das tuas cordas vocais
e aprenderás a mudar o mundo
como a mulher que mudava as cousas
de sítio.
Falarás a nossa língua
e quando as tuas palavras se sentirem soinhas
-por todo o que sabemos- procurarás
outras vozes como a tua.
Escuta
É mui emocionante.
Somos muita gente.
Acompanha-te o teu povo
e muitos outros povos como o nosso e
se o povo defende a língua
a língua protege o povo.
Adiante.
Falarás a nossa língua
e a música rebentará as tuas palavras
como estalitroques nos dedos, globos de cores,
coquetéis Molotov, bombas de palenque
no céu.
E falarás a nossa língua.
Recolherás as palavras que abandona alguma gente
no caminho
e ajudarás outra gente a recuperar
as palavras perdidas.
Falarás a nossa língua
com homens, mulheres, nenas e nenos
do teu tempo,
do passado e do futuro
Falarás com o vento.
Falarás a nossa língua.
Perguntarás que significam as palavras desconhecidas
porque gostas das aventuras, dos dragões,
dos caroços das maçãs,
dos vulcães em erupção, dos caracóis.
Falarás a nossa língua.
Dormirás com o pijama do ouriço-cacho
e um verso no peito
e sonharás que falas qualquer um
dos 6.000 idiomas do planeta.
Falarás a nossa língua
com palavras como casas,
como gavetas com colheres,
palavras como Pippi Langstrumpf a saltar
encima da cama entre moedas de ouro,
e algum dia abraçarás-nos com elas.
Falarás a nossa língua
e as tuas palavras abrirão
os caminhos da vida.

lunes, 18 de septiembre de 2017

Mia Couto - La realidad de lo fantástico

Mia Couto - La realidad de lo fantástico | IberLibro.com



Mia Couto
Quizá no sea tan conocido entre los hispanohablantes; las traducciones, como siempre, tardan en llegar. Sin embargo, Mia Couto es ya desde hace años una de las voces más importantes de la literatura contemporánea en lengua portuguesa, y junto a nombres como J.M. CoetzeeJosé Eduardo Agualusa o Chimamanda Ngozi, uno de los autores más reconocidos del continente africano.
Nacido en Beira, Mozambique, en 1955; se inició temprano en el mundo literario con la publicación de poemarios. Con el tiempo le seguirían colecciones de relatos breves y al fin novelas, que acabarían por convertirlo en el escritor mozambiqueño más traducido y laureado.
Hay quien dice que la realidad supera a la ficción, de alguna manera dando por hecho que existe algún tipo de contradicción entre ambas. Mia Couto anula este malentendido haciéndonos evidente que la poesía y la fantasía forman parte de la esencia misma de la realidad. Y es que los seres humanos concebimos el mundo a partir de nuestra propia fantasía. Convertimos realidades en símbolos, llevamos opiniones hasta un extremo caricaturesco, mezclamos las ideas con las pasiones y nos movemos de acuerdo a motivaciones hechas a medida de un mundo que es solamente nuestro. La atmósfera materialista en la que vivimos tiende a olvidar que la realidad más tangible que poseemos es ese mundo desfigurado en el que nos movemos, que tendemos a llamar subjetividad.
Mezclando el conocimiento de la cultura occidental (o como diría Borges, la biblioteca) con los elementos vivos de la tradición oral y el imaginario mozambiqueño, Mia Couto nos entrega una serie de obras que reviven una energía humana que parecía estar olvidada en los círculos convencionales.
La gran virtud de su literatura es que no se olvida de ninguna de las dos perspectivas, y nos entrega de forma equilibrada un viaje hacia la fantasía y mitología africana y una reflexión inteligente sobre su sociedad. Mia Couto consigue reflexionar sobre las realidades objetivas en la misma dirección en que las experimentamos como seres vivos: a través del mundo desfigurado de nuestra subjetividad.
Si no ha leído todavía ninguna de sus obras le invitamos a empezar, encontrará en ellas un sabor diferente al acostumbrado, y conocerá a un autor cuyo nombre no olvidará.


Libros de Mia Couto

miércoles, 8 de marzo de 2017

VICTOR M. DIEZ, O POETA CON NOS

PERO SE OYE
Los domingos un cadáver. Erguido.
Cruza pálido el umbral del cabaret.
Un cadáver con guantes
tacones de bailarín escenario botas de aviadores
alemanes en los pasillos. Labios pintados:
la cantante grita, oídlo, en las habitaciones interiores.
                                                                                                                                                                                                                                           Ropa de escenario deshecha, su voz
de cantante grita. Pequeña ciudad grita.
Baile, baile, baile... y morfina alemana en los apartes.

Aquí nació Buenaventura Durruti, el héroe o
el gran perro malnacido.
La ciudad es un agente doble.
Fotografías de un baile, músicos vencidos
fumando en las traseras.
Los domingos un cadáver familiar...

Espías delatores habitaciones falsas fosas paseados.
La memoria de lo no vivido en primera persona,
así desordenada, se vivifica.
Una música sin partituras; canción de escombros
en la ciudad ocupada; tumbas sin nombre.


LOS INVITADOS
Maldito baile obligatorio.

Las ropas vacías y perfectas sobre las camas
esperan su carga.
Los invitados están desnudos
y callados como piedras
en sus pequeñas cajas de impaciencia.
Pueden oír los ensayos de la orquesta
y un bullicio futuro que repiten
como un imaginario coro de espías.


MIS AFUERAS
La locura es un idioma sagrado.
Lengua viva en la cabeza. Silencio en el corazón.
Hay en mi casa treinta ramos secos de mujer.
Me despierto en el cuadro de los sueños;
pintado sobre la tela:
                   el día es un atentado.

Sonajeros hay en mi cabeza.
Talismanes encordados. Casa, cuerpo, soledad.



Víctor M. Díez nació en León en 1968. Poeta, actor.

Realizó estudios de Psicología y Filosofía en la Universidad de Salamanca. Ha trabajado como programador informático, camarero, gestor cultural, redactor, castañero, actor…

Es autor de los poemarios Evaporado va (Ed. Provincia, León. 1996) finalista de la XII Bienal de Poesía «Provincia de León»; Cordura Abajo (Junta de Castilla y León, Valladolid. 1996) Premio Letras Jóvenes; Circo Varado (Nómadas, Oviedo. 1999); Oído en Tierra (De la luna libros, Mérida. 2000) VI Premio «Ciudad de Mérida» de Poesía;  Voz fuera de campo (Icaria, Barcelona. 2004); Ser no representable (De la luna libros, Mérida. 2004); Todo espera un fuego (Antología 1989-2008; Ed. Provincia, León. 2010), Funeral Celeste (Ed. Eolas, León. 2011), Escrito Sonámbulo (Ed. Amargord, Madrid. 2013), Discurso privado (Ed. Eolas, León 2014) Maldito baile obligatorio (Antología del autor. Ed. Liliputienses, Plasencia. 2016) y Todo lo zurdo (Varasek ediciones. Madrid. 2016).

Además ha sido incluido en las antologías y recopilaciones. Ha firmado, guías de viajes, catálogos de pintura y libros de encargo como XXV años de Teatro Corsario (Junta de Castilla y León, Valladolid. 2007) y Decir casa -antología poética sobre el hecho de habitar-  (Trenzametal Edita, Zamora. 2008). Ha sido responsable de ciclos poéticos como Alzado de la ruina (Salamanca, 1996), Pequeñas cosas para el agua (León, 2001), Cuatro Cuartetos (León 2007-2009), Un golpe de dados (León, 2010), Roma en el espejo (León 2013, 2014), Nombrando el porvenir/Encruijada de poetas (MUSAC, León 2014, 2015) y Laboratorio poético (Ayto León 2014, 2015).
Colaborador habitual de revistas literarias y prensa diaria, trabajó para la Semana Internacional de Cine de Valladolid, como redactor de su revista oficial SEMINCI, durante ocho ediciones. Ha coordinado varios Talleres de Escritura Creativa para institutos, centros cívicos,  universidades (León, Duke) y el Ayuntamiento de León.

Como poeta de acción ha colaborado en la última década con músicos improvisadores en diferentes proyectos. Actualmente recorre escenarios nacionales e internacionales con las agrupaciones Sin Red y Morse. Actor de teatro y cine, está inmerso en varios proyectos escénicos y audiovisuales.

Responsable de la organización o comisario
de los ciclos de lecturas poéticas
y actividades culturales:

«Alzado de la ruina» (Salamanca 1996), Ayuntamiento de Salamanca.
«Pequeñas cosas para el agua» (León 2001), C.C.A.N./ Ayuntamiento de León.
«Cuatro cuartetos» (León 2007-2009), para la Biblioteca Pública de León.
«Un golpe de dados» (León, 2010), Ayuntamiento de León.
«Roma en el espejo. Subterráneo de cultura» (León 2013-2017)  Ayuntamiento de León.
«Laboratorio poético» (León 2014-2017). Ayuntamiento de León.
«Nombrando el porvenir/encrucijada de poetas» (León 2014, 2015) MUSAC (Museo de Arte contemporáneo de Castilla y León).
«Programación FERECOR» (2015, 2016).
Semana de Poesía Salvaxe de Ferrol (2007 a 2017)
I Encuentro de poetas latinoamericanos. Canción de las orillas (2017)


También del I Festival Internacional Gaudí de Improvisación (I M P R O/GAUDÍ. León 2002); de las Jornadas “A vueltas con la improvisación” (León 2003) Eventos financiados por instituciones públicas. Y de las Ediciones VII y VIII del Festival Internacional de Improvisación Hurta Cordel (La Casa Encendida, Madrid 2003, 2004).


Ha participado en más de un centenar de recitales, conferencias, performances, mesas redondas y talleres por todo el Estado.

sábado, 14 de enero de 2017

POEMAS DE PAUL CELAN, ó luns, 16 de Xaneiro


Na Biblioteca Central de Ferrol, o luns, 16 de Xaneiro, 2017, as sete e media da tarde.

ESTOS POEMAS SON LA MUESTRA MAS EMOCIONANTE, MAGNIFICA DE LA POESÍA DE PAUL CELAN

Retrato de una sombra

Tus ojos, huellas de luz de mis pasos;
tu frente, temida por el brillo de las dagas;
tus cejas, travesía de las pérdidas;
tus pestañas, mensajeros de cartas largas;
tus rizos, cuervos, cuervos, cuervos;
tus mejillas, campo de armas de la mañana,
tus labios, huéspedes tardíos;
tus hombros, estatua del olvido;
tus pechos, amigos de mis serpientes;
tus brazos, árboles ante la puerta del castillo;
tus manos, tablas de juramentos muertos;
tus caderas, pan y esperanza;
tu sexo, ley del incendio del bosque;
tus muslos, alas en el abismo;
tus rodillas, máscaras de tu cortesía;
tus pies, campos de batalla de las ideas;
tus plantas, gruta del fuego;
la huella de tu pie, el ojo de nuestra despedida.



En los ríos

En los ríos, al norte del futuro,
tiro la red, que tú, indecisa,
llenas con sombras
escritas por las piedras.





Elogio de la lejanía

En la fuente de tus ojos
viven las redes de los pescadores del mar errante.
En la fuente de tus ojos
mantiene el mar su promesa.
Aquí arrojo
un corazón que vivió entre los hombres,
mi ropa y el fulgor de un juramento:
me encuentro más desnudo que lo oscuro en lo negro.
Sólo al renegar soy fiel.
Soy tú cuando soy.
En la fuente de tus ojos
robo y sueño.
Una red capturó otra red:
nos separamos enlazados.
En la fuente de tus ojos
un ahorcado estrangula la soga.


Poemas publicados en la antología bilingüe de Paul Celan Sin perdón ni olvido, Cuadernos de la memoria número 5, Universidad Autónoma Metropolitana, México, 1998. Versión al español, estudio, cronología y bibliografía de José María Pérez Gay.

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